quarta-feira, 13 de junho de 2012

Ser ou não Ser?

Sempre que o assunto é Vestibular, ouço uma galera entre 15 e 18 anos manifestar uma dúvida permanente: qual profissão escolher? A que dá mais dinheiro, (normalmente a que mais é incentivada pelos pais), ou a que dará satisfação e realização profissional?

No tempo da juventude de nossos pais essa dúvida parecia menor. Parece que tinham mais convicção na escolha profissional. Escolhiam um caminho e seguiam por ele. Hoje a sensação é de que as dúvidas se multiplicam e as escolhas são bem mais difíceis. Muita gente diz que gosta de várias coisas ao mesmo tempo, pode exercer mais  de  uma atividade  diante das  inúmeras possibilidades . E aí? Como definir-se?

De tanto ouvir queixas, e diante de tanta dúvida, gostaria de ser consultor vocacional pra ajudar essa galera toda, mas como não tenho essa aptidão, arrisco-me apenas a dar alguns palpites. O primeiro passo é não desesperar-se diante da dúvida. Afinal de contas ela é importante para crescermos e exercitarmos nosso senso de discernimento. Depois, acho que um velho fundamento da minha profissão, o jornalismo, pode ser útil: quando se tem três notícias muito importantes, e você não tem espaço, deve escolher as duas mais importantes. Se mesmo assim elas não couberem nesse espaço, a escolha deve recair rigorosamente na mais importante.

Acho que isso vale também para nossas vidas. Precisamos permanentemente fazer escolhas. Elas devem ter o critério de hierarquia de importância. Às vezes um prosaico sorvete pode ser mais importante do que dormir mais cedo, mas outras vezes, escolher estudar é muito mais importante que ir ao cinema. Esse é um exercício desafiador. Mas quem está entre os 15 e 18 anos, talvez não precise antecipar as escolhas.

Nesse momento, observar o mundo e suas complexidades pode ser a melhor escolha.  Além do mais, não dá pra desprezar a experiência de quem já trilhou muitos caminhos e conhece seus atalhos. Os pais nessa hora são mais importantes do que imaginamos. Sente com eles, pois nada melhor para tirar dúvidas que um belo Papo Cabeça.

João Verissimo
Jornalista     

terça-feira, 12 de junho de 2012

O futebol islandês e o funk da bicicleta humana

Em meio à Eurocopa que está atraindo os olhares de todo o planeta para confrontos entre grandes estrelas do futebol do primeiro mundo, com estádios lotados e contratos publicitários milionários, vou falar sobre a Islândia. Uma ilha nórdica com cerca de 320 mil habitantes e com geografia predominada por montanhas, geleiras e vulcões. Apesar de pequeno (103 km²), é um país bem estruturado e com baixas taxas de desemprego, embora seja uma das nações mais afetadas pela crise econômica europeia.

No futebol, trata-se de um figurante: ocupa apenas a 131ª posição no Ranking da FIFA, atrás de Etiópia, Suriname e República Democrática do Congo, por exemplo. O principal representante da Islândia é o centroavante Gudjohnsen, que atuou por três temporadas pelo FC Barcelona. Entretanto na metade de 2010, os holofotes da imprensa esportiva apontaram para a terra da Björk. O Stjarnan Garðabær, clube que alterna entre as 1ª e 2ª divisões do campeonato nacional, começou a ganhar notoriedade não pelo desempenho dentro de campo, mas pelas comemorações inusitadas de gols. Coreografias inspiradas no Rambo e em uma pescaria foram as primeiras encenações a arrancar gargalhadas de quem assistia no YouTube e até mesmo em programas televisivos.

Até que eu resolvi entrar em ação.

Na época, eu freqüentava a comunidade Futebol Alternativo Off Topics (FAOT) do Orkut, e lá esse tipo de notícia é um prato cheio. Um dos participantes mais fanáticos do fórum, o Reinaldo, foi atrás de mais detalhes e encontrou a súmula da partida que teve a comemoração da “pescaria humana”. Descobriu que o jogador que simulava ser um peixe fisgado era o lateral Jóhann Laxdal. Na sequência, vários integrantes começaram a imaginar novas comemorações. E, também naquela época, o hit bizarro que atingia números incríveis de acesso era o funk da “Bicicleta Humana”, do grupo Mulekes Piranha. No clipe, tosco e cheio de efeitos ultrapassados, o grupo faz uma série de acrobacias que termina em um formato de bicicleta. Não deu outra. O Leonardo, outro participante da FAOT, lembrou da pérola. Fui ao Facebook, encontrei o perfil do atleta e, sem pensar duas vezes, mandei o vídeo como sugestão para a próxima partida. Recebi um “Hehe legal, nós vamos tentar o nosso melhor” como resposta. Encarei aquilo como um “Ok, entraremos em contato se precisarmos de você”, como se houvesse criado falsas expectativas para um trainee que procura emprego em uma multinacional.

E não é que, para minha surpresa, a sugestão se concretizou? No confronto contra o KR Reykjavík em 06 de agosto, Árnason abriu o placar para o Stjarnan aos 13 minutos do 1º tempo. Um gol feio, estranho, digno de várzea. Mas foi um gol. O grupo de jogadores correu para o outro lado do campo, provavelmente para onde havia uma concentração maior de torcedores, e montaram a bicicleta humana! O Stjarnan perdeu para o time da capital por 3 a 1, mas a coreografia foi gravada e reproduzida em programas como o Esporte Espetacular, Tá na Área do SporTV, figurou o quadro “Top 5” do CQC da Band, fora os que eu não consegui assistir. E está eternizada em páginas online como Olé, The Sun, GloboEsporte.com, ESPN, Pop Esporte e Terra.
Eu já simpatizava com a Islândia devido às minhas influências musicais (Sigur Rós, Múm, Amiina, GusGus, entre outros) e a partir daquele momento passei a me considerar um cidadão honorário, além de começar a acompanhar melhor o futebol local. Afinal, foi uma experiência muito bacana ver vários repórteres entrando em contato para saber a origem da comemoração, como conheci o Jóhann, se eu tinha interesse em viajar para a Islândia. Confesso que, embora estudante de jornalismo na época, eu me senti celebridade por 15 minutos. Mas para a história do Stjarnan e dos Mulekes Piranha (que após o fato começaram a aparecer em vários programas de auditório), tenho certeza que contribuí. 

Até a próxima!
Lucas Padilha - Jornalista

A mais bela canção de amor

Hoje é Dia dos Namorados, então, urge que se fale de amor. De músicas de amor, no caso. Cada um, cada casal tem a sua, as suas músicas para ouvir abraçadinho ou para chorar escondidinho. Eu tenho a minha. É There is a light that never goes out, dos Smiths.

Lembro que fiquei pasmado na primeira vez que a ouvi, sozinho ainda, num início de noite chuvoso e frio de uma sexta-feira já distante no tempo – é possivelmente a única música cuja primeira audição não me sai da memória. Uma melodia arrebatadora e uma letra meio trágica, de alguém que descobre o amor em sua última chance – ou algo assim. E esse amor parece ser tão definitivo, e tudo ao redor tão desimportante, que nem um caminhão de dez toneladas no caminho estragaria tudo.

“Há uma luz que nunca se apaga” – eu sempre penso quando estou na estrada. E cantarolo There is a light that never goes out, desde sempre a música da minha vida. Meu amorzinho também a ama. Nós a amamos. Porque Morrissey a canta com amor. E isso é tudo.

P.S.: Dinho Ouro Preto fez uma versão para essa canção em seu recente disco solo, mas me pareceu faltar amor.


sexta-feira, 1 de junho de 2012

Inscrições para o Enem até dia 15 de junho. Fique ligado!

      As inscrições para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2012  vão somente até o dia 15 de junho. Então se você quer garantir a sua vaga para a realização das provas, que neste ano serão nos dias 03 e 04 de novembro, fique atento.

      O exame serve como processo seletivo para várias universidades e institutos federais de ensino superior de todo o Brasil.

       As inscrições podem ser feitas no endereço http://sistemasenem2.inep.gov.br. A taxa custa R$ 35,00.

       A expectativa do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) é que 6 milhões de pessoas se inscrevam para fazer o Enem 2012.

E aí pessoal!

O tempo voa, né? Já estamos na metade do ano e, em breve, nas festas da virada. Quando fiquei cara a cara com a data de hoje, confesso que me assustei com a velocidade de mais um ano e comecei a pensar nas minhas promessas de ano novo, quantas consegui cumprir, quantas ainda faltam? Os doze meses são poucos para tantas metas.

Tudo isso me fez lembrar de um filme super legal que retoma essas questões: “Noite de ano novo.”  Ele traz várias histórias de esperança e expectativas em relação à passagem de ano, as quais se conectam no decorrer do filme. Além de um elenco fantástico, como é possível ver na capa abaixo.

Essa produção faz pensar justamente sobre as expectativas: serão elas o problema principal do ser humano? Vamos tomar como exemplo o fato de acreditarmos que tudo pode mudar na virada de ano e, quando os fatos não correspondem nossos desejos, uma sensação de derrota e incompletude passa a consumir nossos pensamentos.

Essas datas festivas nos fazem acreditar que vamos fazer as pazes com quem não falamos o ano todo, que um grande amor vai aparecer em breve, que nossa vida financeira vai melhorar como em um passe de mágica. De repente, as coisas começam a demorar para acontecer e as pessoas mergulham em um mar de sofrimento.

A questão é “de onde vem essa obrigação de sempre estarmos bem”? E, retomando Carlos Drummond de Andrade, se tiver uma pedra no meio do caminho?

Se pensarmos friamente, não sabemos o que vamos encontrar pela frente e talvez nem sejamos capazes de controlar nossas expectativas, pois o ser humano precisa ter fé nas coisas. Mas viver o presente, fazendo o melhor possível dele, sem depositar toda a nossa energia no que queremos alcançar, parece mais seguro. Esperar o melhor é sempre bom, mas saber tropeçar e ter a capacidade de retomar o caminho faz parte dessa jornada.

 

O que acham?

Abraço

Mariana de Oliveira Wayhs – Publicitária

mawayhs@unicruz.edu.br

terça-feira, 29 de maio de 2012

Do trauma ao triunfo: o caso da seleção da Zâmbia


Libreville, 28 de abril de 1993.

A aeronave De Havilland DHC-5, que transportava a seleção da Zâmbia que jogaria uma partida válida pelas eliminatórias da Copa do Mundo do ano seguinte, explode enquanto sobrevoava o litoral da capital do Gabão. Entre jogadores, dirigentes e militares, o incidente resultou em 26 mortes, tornando-se um dos episódios mais trágicos do futebol mundial. Restaram lágrimas e memórias às vítimas que, há quem aposte, seria uma das surpresas para o torneio a ser disputado nos EUA.



Libreville, 09 de fevereiro de 2012.

A seleção da Zâmbia desembarca para disputar no sábado (12) a final da Copa Africana de Nações contra a poderosa Costa do Marfim. Até então, todos os confrontos haviam sido em outras cidades. A delegação, acompanhada pelo ex-jogador Kalusha Bwalya, que pertenceu à geração de 93 mas havia embarcado em outro voo, levaram flores à praia onde ocorreu o acidente e prometeram dedicar todos os esforços aos antecessores da seleção.

De um lado, a grande favorita com estrelas internacionais como Didier Drogba, Yaya Touré, Gervinho e Kalou. Do outro, uma equipe que passara por uma reformulação e enfrentava, além dos marfinenses, o trauma de 19 anos atrás. Afinal, o cenário da decisão era o mesmo da tragédia e a atmosfera psicológica não era das melhores. Contradizendo todas as previsões, a Zâmbia surpreendeu o mundo levando a partida para os pênaltis e conquistando o título continental em um emocionante 8 a 7.

A vitória representa mais do que o maior triunfo da Zâmbia (que até então era uma goleada por 4 a 0 sobre a Itália de Roberto Baggio nas Olimpíadas de Seul, em 1988), mas um tributo póstumo às almas que ali jaziam no desastre aéreo de 1993. O futebol não é apenas “vinte e dois jogadores correndo atrás de uma bola”. É formador de caráter, de dignidade e de histórias magníficas como esta.

Fotos: AFP, ESPN.com e Globo.com


Nos vemos em breve com mais curiosidades sobre o Planeta Bola!
Lucas Padilha - Jornalista

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Trilhas sonoras


Buenas, pessoal!
A Mari citou alguns filmes legais que merecem ser revistos nessas noites frias que estão por vir, entre uma fatia de pizza (portuguesa!) e uma colherada naquele brigadeiro de panela (com Leite Moça!).
Pois eu aproveito o gancho e cito alguns filmes que, além de serem bacanas, têm uma trilha-sonora que vale a pena ter no computador. Eis alguns:
Pulp Fiction – Tempo de violência: falou em trilha sonora de filme, surge este clássico de Quentin Tarantino como exemplo super bem-sucedido. Black music, surf music das antigas... E Misirlou, que todo mundo já ouviu no lugar errado.

500 dias com ela: romance que não é água com açúcar, mas tem umas músicas que dá vontade de chorar de tão boas.

Na natureza selvagem: filmaço só com músicas do Edie Vedder, vocalista do Pearl Jam. Mas não parece o Pearl Jam.

Forrest Gump – O contador de histórias: um clássico, melhor ainda para quem gosta de rock.
Esses são só alguns filmes para ver e ouvir. Tem muitos outros. O próprio Curtindo a vida adoidado, que a Mari lembrou, tem Twist and shout, dos Beatles, que anima até pedra. Então, olhos e ouvidos atentos!